sábado, 4 de outubro de 2008

Abstração.

A capacidade de abstração do pensamento humano parece vir já dos homens primitivos, usando a arte, suas pinturas rupestres e esculturas de forma mimética e ao mesmo tempo mágica. Vê-se, portanto, que o homem já relacionava diretamente a sua visão real do mundo e sua visão "imaginária", suas idealizações sobre o espaço e o tempo. Durante toda a história da arte os artistas, por assim dizer, sempre foram em busca de técnicas mais precisas para a representação do mundo da forma mais fiel possível, em uma verossimilhança quase doentia.
E é justamente nesse ponto que toca o poder da abstração do homem. Na busca de "dominar a natureza e espantar os fantasmas", o homem passou a tentar concretizar o abstrato. E com o surgimento da tecnologia fotográfica - justamente quando o homem já estava atingindo a perfeição verossímil - o artista se vê livre desta incumbência, dando ainda mais liberdade à representação abstrata, indo em direção às raízes do homem nas pinturas rupestres e dando forma à arte mais geométrica, mais arquitetônica que o modernismo trouxe.
Michael Fiegenbaum, da Universidade Rockefeller, criou o modelo da reação em cadeia, dando uma abertura à caminhos bifurcados. E esse é, sim, um pensamento abstrato, ligado à hipótese e à dedução. A internet, com sua tecnologia hipermidiática, utiliza-se dessa reação em cadeia. Ela usa símbolos, através da repetição, do padrão e, consequentemente, da interação. A hipermídia utiliza-se da representação simbólica, que é, essencialemente abstrata, representando portanto uma linguagem de codificação de conteúdo.
A arte é a manifestação da alma no mundo palpável, çlevando em conta que a alma é a memória inconsciente, por assim dizer. Raduan Nassar diz em Lavoura Arcaica que a alma é "quando a vida deixa de ser vida nas correntes do dia a dia e passa a ser vida nos subterrâneos da memória.
A interatividade na arte começa com Velasquez, quando o artista se pinta no próprio quadro levando a questão primitiva: "se o artista está na arte, então quem é o artista?". É nesse momento que acontece dois movimentos antagônicos em que o artista se desvincula da arte para entrar dentro dela. O desenho perspectivo - ponto de fuga - também torna, além de uma represnetação mais verossímil, a possibilidade do observador entrar mais profundamente no espaço, que se torna muito menos finito.
O surgimento do ZERO na cultura ocidental diz muito sobre isso. O zero é a representação da ausência de valor. e também a expansão marítima, decorrente da época, o conhecimento do mundo além do que se vê, ajudam a aumentar a capacidade do homem de enxergar o vazio, o não-visto, aumentar a sua capacidade de abstração.
Comunicação é arte a partir do momento em que existe a interação abstrata e concreta simultaneamente.
A evolução da abstração do homem se tornou tamanha que ele é capaz de imaginar de forma muito mais concreta. Com a pintura de Tunga, o artista cria, através da reprentação plástica do negro, do vazio, a possibilidade do observador ir em busca de um padrão de beleza (vênus) muito mais pessoal e, portanto, muito mais abstrato. O esteriótipo aqui se torna individual, deixando de ser esteriótipo. A comunicação, portanto, passa a trabalhar não somente a abstração do comunicador mas também a daquele que recebe toda a informação.

Nenhum comentário: